Pôr-do-sol

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Lá vou eu, em mais um final de tarde atraente, atrás do por-do-sol, receber suas cores na minha mente. Cidade de Videira - SC

quarta-feira, 16 de junho de 2010

MAL DE ALZHEIMER - DR. RESPONDE

Mãe Maria Leontina Figueiredo e a irmã Marcelina Figueiredo

Pelos recantos dos hospitais públicos, onde a maioria da população brasileira, carente ou não, procura atendimento médico público, ouço relatos de familiares que possuem um familiar com a doença de Alzheimer... Não obstante, como leio pela internet as mais diversas narrações. Nessas duas situações como em outras, todas, falam sobre as dificuldades dos familiares de lidarem com o portador da doença de Alzheimer, assim como buscam, desesperadamente, informações sobre a doença. Daí a importância da matéria que transcrevo abaixo, de iniciativa da minha irmã Marcelina, com intuito de ajudar, principalmente, as famílias mais necessitadas e carentes de consecução de informação.

Percebo que o amor incondicional, a paciência, a tolerância, o equilibro e a sensibilidade são fatores essenciais para quem lida com o doente da Alzheimer.

Feliz aquele que exercita esses predicados, a cada novo amanhecer, carrega sem perceber, a alegria luminosa e abençoada de Deus, que o faz palmilhar pelos cantos e recantos da vida terrestre com sabedoria.
Sanches Figueiredo
Que o Divino poeta ilumine o amor incondicional das minhas irmãs (borboletas de lindas cores) Martha Figueiredo, Tereza Figueiredo, Marcelina Figueiredo, Jane Figueiredo, Mônica Figueiredo, Cristina Figueiredo; irmãos Raimundo Pedro Figueiredo, José Figueiredo e Ismael Figueiredo; minhas sobrinhas Isabelle, Carla Figueiredo e Socorro Figueiredo; sobrinhos Denzel, David e Matheus, todos, que dedicam atenção à mãe de 80 anos e há cinco sofre com as conseqüências da doença de Alzheimer.

Matéria transcrita da Revista Diário (coluna Dr. Responde) do Jornal Diário do Pará de 13/06/10 – BELÉM-PA Ano: IV N 210

"QUAL A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA PARA CUIDAR DAS PESSOAS COM ALZHEIMER?

O mal de Alzheimer; doença degenerativa que causa a morte dos neurônios, afeta no Brasil cerca de 1,2 milhões de pessoas, segundo dados da Associação brasileira de Alzheimer: Descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer; de quem herdou o nome, a patologia geralmente atinge pessoas acima dos 65 anos e mexe com a vida de todos mundo que está em volta dela. Por isso, o equilíbrio e o carinho da família são indispensáveis.

Ter um paciente com Alzheimer requer paciência, tolerância e muito amor; pois a sobrecarga é grande e o desgaste físico e emocional ainda maior: E foi como prova de amor que a leitora Marcelina Sanches entrou em contato com a Revista Diário para que o Dr. Responde de hoje abordasse a doença de Alzheimer.

A funcionária pública é filha de dona Maria Leontina Sanches, de 80 anos, mãe de 10 filhos e que há 5 anos desenvolveu a doença. Marcelina sugeriu o tema e elaborou as perguntas a partir de dúvidas mais freqüentes na área, para conseqüentemente ajudar outras famílias com a patologia. Quem responde é a geriatra Regiany Pires".

O que é a doença de Alzheimer e como ela se desenvolve?

É uma doença que afeta o cérebro, degenerando os neurônios de maneira lenta e progressiva. Em geral inicia em um grupo de células responsáveis pela memória, mas em torno de 10 a 12 anos acomete todo o cérebro. Além do comprometimento da memória, também ocorrem alterações de outras funções cerebrais e o indivíduo se torna incapaz de realizar tarefas do dia-a-dia como, por exemplo, preparar as refeições, tomar remédios, fazer compras, controlar o dinheiro, lavar roupa e sair de casa sozinho.

É POSSÍVEL PARAR ESSE PROCESSO DE DEGENERAÇÃO?

A causa ainda é desconhecida, mas a medicação pode manter o quadro clínico estabilizado por um tempo maior. Contudo, é importante esclarecer que o esquecimento normal faz parte do processo de envelhecimento que começa na meia-idade. É comum ficarmos mais esquecidos quando estamos deprimidos, sobrecarregados de trabalho ou preocupados. A maioria das pessoas perde as chaves e os óculos, esquece onde estacionou o carro, assim como nomes e compromissos.

É POSSÍVEL IDENTIFICAR A DOENÇA ANTES DE UM COMPROMETIMENTO MAIOR?

Em geral se inicia pela memória, com a pessoa apresentando dificuldade de guardar informações mais recentes, porém com uma certa preservação da memória para fatos mais antigos. A doença pode evoluir e acontecer a linguagem, com dificuldade para encontrar palavras, dar nome a objetos, lembrar de nomes de parentes mais distantes. Dependendo da fase da doença pode comprometer o comportamento com apatia, depressão ou até agressividade.

É HEREDITÁRIO?

Não é obrigatoriamente causada pela transmissão de genes de pais a filhos. Assim, mesmo que no passado vários membros de uma família tenham tido o diagnóstico da doença, isso não significa que algum parente irá desenvolvê-la. Somente em um número limitado de famílias é determinada exclusivamente por fatores genéticos e nesses casos a doença começa muito cedo, geralmente antes dos 50 anos. Por outro lado, qualquer pessoa está em risco de desenvolver DA.

COMO É FEITO O CONTROLE E O TRATAMENTO DA DOENÇA?

Embora ainda incurável, a Doença de Alzheimer é tratável. O tratamento farmacológico sintomático é capaz de melhorar a memória, o comportamento e a funcionalidade, ocasionando impacto positivo na qualidade de vida.

E COMO A FAMÍLIA DEVE LIDAR COM ESSAS ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS?

Os sintomas psicológicos e comportamentais na DA geram intenso sofrimento para o paciente, seus familiares e cuidadores. Com bastantes freqüências ouvimos os seguintes relatos: “ele anda pela casa à noite toda”, “diz que há um homem olhando para ele o tempo todo”, “grita, solta palavrões e chuta; ele sempre foi calmo” ou “ela pouco fala, mostra-se indiferente a tudo”. O tratamento desses sintomas deve ser indicado quando medidas não farmacológicas forem ineficazes. Como opção, temos disponíveis os antipsicóticos, os antidepressivos e anticonvulsivantes.

E QUAIS SÃO ESSAS MEDIDAS NÃO FARMACOLÓGICAS?

O tratamento não farmacológico é realizado através de treinamento da memória, técnicas de estimulação por meio da arte e de outras terapias ocupacionais, da dança e recreação. Os cuidados poderão ser prestados por uma equipe interdisciplinar que envolve médicos de outras especialidades, psicológico, nutricionista, assistente social, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermeiro, etc.

QUAL A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NO TRATAMENTO?

A família é de extrema importância. É comum ocorrer desagregação e desestruturação das relações pessoais, financeiras e emocionais. O atendimento familiar tem como objetivo informar, orientar e aconselhar para prevenir conflitos.

O QUE FAZER NOS MOMENTOS DE AGITAÇÃO, ANGÚSTIAS E DEPRESSÃO DO PACIENTE?

Use objetos e fotos antigas para provocar lembranças do passado e estimular a conversa, faça atividades em grupo ou peça para o paciente ajudar em tarefas domésticas simples. Um pouco de senso de humor por parte do cuidador torna o ambiente mais leve. Nas situações de agitação deixe o ambiente bem iluminado logo ao entardecer para minimizar o surgimento de sombras que podem aterrorizar o paciente. Alguns têm falso reconhecimento de que os personagens que está vendo nos programas de TV estão, na realidade, em sua casa, conversando com ele, o que causa irritação. É preciso lidar com muito respeito com esta situação. Deve-se pensar que, para o paciente, a impressão é bastante real, portanto não o corrija, explique o que acontece às pessoas da casa e, por mais engraçada que seja a situação, não permita que o paciente seja motivo de risos.

COMO AGIR DIANTE DAS ININTERRUPTAS PERGUNTAS?

Distraia o paciente: coloque uma música, comente sobre alguém que ainda tenha boas lembranças, peça para ajudar em algo, dance e cante com ele.

QUANDO O PACIENTE TROCA NOMES PESSOAIS, FAZ AFIRMAÇÕES ERRADAS, INSISTE E ACREDITA NO QUE ESTÁ DIZENDO, DEVE-SE CORRIGÓ-LO?

Uma única correção poderá ajudar, mas a correção seqüencial poderá desencadear agressividade. É preferível concordar e logo distrair.

E QUANDO NÃO RECONHECE MAIS OS PARENTES, SIGNIFICA UMA EVOLUÇÃO NEGATIVA DA DOENÇA? COMO PROCEDER?

Nem sempre. Esse episódio pode ser passageiro, pode estar relacionado com algum fator responsável por essa confusão mental, como isquemia cerebral transitória e até por algumas infecções. Se os prováveis fatores etiológicos (ligados a causa) forem afastados, o médico avaliará o provável aumento na dose de alguns dos medicamentos.

A MAIORIA DOS PACIENTES DE ALZHEIMER SÃO PESSOAS QUE VIVERAM PARA O TRABALHO, SEMPRE OCUPARAM A MENTE, LIAM BASTANTE, ERAM MUITO ATIVAS. QUAL A RAZÃO DESSES NEURÔNIOS SE ATROFIARE?

Manter a mente ativa é uma das nossas recomendações, mas não basta o neurônio se exercitar. Existem casos descritos de pessoas com baixa escolaridade que nunca desenvolveram DA. No cérebro de pacientes com DA encontramos uma substâncias que desestrutura as conexões entre os neurônios e os faz degenerar. Portanto, não é suficiente ter “neurônios sarados” pelo treino cognitivo, deve também ocorrer perfeita transmissão de informações.

Nota: A Dra. Regiany de Araújo Pires é especializada em Saúde do Idoso e envelhecimento (Uepa) Belém – Pará.

Agradecimento da família à Tássia Almeida.

3 comentários:

  1. Querido Sanches!
    Antes de mais nada, lindo o seu ato de transcrever essa matéria para o seu blog, e também a idéia fascinante de sua irmã Marcelina em se preocupar de trazer a público alguns tópicos dessa doença.
    Até porque isso é um ato de solidariedade, pensando não somente nos seus familiares, mas... também no próximo. Belo esse gesto.
    "Se a maioria dos homens não pensassem somente neles, a humanidade com certeza seria diferente..."(Margarete - Videira - SC)

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  2. Margarete, tuas palavras tem a excelsitude dos grandes mestres da alma. Obrigado.

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  3. Marcelina Sanches20 de junho de 2010 12:21

    Marcelina Sanches disse...

    è inenarrável a minha FÉ em DEUS. Ele nos mostrará a cura da doença de Alzheimer.
    Ele nos deu a vida para vivermos bem e intensamente, eu creio. Viva Jesus Cristo!!!!

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